A inteligência lembra uma varinha de condão: graças a ela, tudo o que dormia o sono da nada, incluindo o próprio Homem, acorda para a existência.
Ser é ser objecto de conhecimento. A mesma varinha, porém, por um uso intenso e persistente, acaba por esvaziar de realidade as coisas, fá-las regressar ao nada de onde vieram. É um instrumento de destruição que vitima aquele que o maneja, lhe provoca a dor da universal ignorância, a sensação de tactear nas trevas, e ao mesmo tempo o cansa, o corrói, mina as condições elementares de felicidade.
Jacinto do Prado Coelho, Diversidade e unidade em Fernando Pessoa.
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