Vou fazer uma tradução deste autor venezuelano, porque agora que o li achei que alguém mais no mundo tem que lê-lo também. A tradução vou faze-la porque em espanhol não tem graça, se consegue na internet sem problema. Com certeza tem uns erros por aí, mas depois eu farei as correções, leitor, agradeço se você marca alguns.
A vitória oculta [Publicado em Rajatabla]
De não ser eu quem o explique, ninguém entenderia meu gênio militar, pelo qual, nestas memórias o explico. O objetivo da guerra, diz Clausewitz, consiste em impor nossa vontade ao inimigo. Seus discípulos tem variado infinitamente sobre o tema: para eles, nossa vontade se impor ao inimigo mediante nossa vitória; este se dobra ante ela unicamente na derrota. Só tenho me atrevido a variar os termos, aparentemente incontestáveis, desta equação estúpida. Só eu tenho dirigido meu povo a impor sua vontade não obstante a certeza --a necessidade, diria-- da derrota. Desperdiçado inutilmente contra um inimigo invencível, dirão os historiadores. Mas não. Desperdiçado, não. E inutilmente, menos. O afirmo agora, em tanto o fogo calcina seus corpos inanimados.
Quantos seres humanos é lícito sacrificar à consecução de um objetivo? As respostas dos tratadistas são inconsistentes. Para eles, se o povo consta de duzentos milhões, o sacrifício de cinqüenta milhões parecerá razoável. Mas se o povo consta de cinqüenta milhões, então o sacrifício dessa quantidade resulta excessivo. Eu não vejo que estas considerações modifiquem de jeito nenhum os fatores objetivos da situação. Os povos existem, mas se contam homem a homem, e o objetivo que justifica a morte de um só ser automaticamente justifica a morte de todos, e isto é lógico, e irrefutável. Se a cifra de sacrifícios que requer um objetivo militar iguala à cifra de habitantes de uma nação, e se esse objetivo é desejável, isso não é óbice para que a guerra o seja.
E a guerra tem sido. Não para derrotar à grande potência, nosso adversário. Não podíamos. O sabia perfeitamente eu, que observava o progresso da guerra como uma doença incurável. O sei agora, quando as tropas de ocupação escrutinam as ruínas do meu povo aniquilado.
Mas. Mas. Para nos esmagar, a grande potência tem se convertido num exercito, e toda sociedade que se converte num exercito se devora si mesma e morre.
Nunca, nunca, uma tão vasta vitória com tão escassas forças. O digo eu, vencido, escutando o crepitar dos incêndios da minha derrota, que é também a antecipada derrota e crepúsculo do inimigo.
Reclamo a coroa dos vencedores. Reclamo a coroa dos vencedores. Eu, o ultimo vivente do meu povo. Reclamo a coroa dos vencedores.
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